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A importância da aplicação do Regulador de Crescimento na Cotonicultura

Por Luiz Alberto Hiroshi Horita

Com o aumento a produtividade do algodão, é essencial ter controle sobre a arquitetura da planta. Veja como a aplicação do regulador de crescimento na cotonicultura ajuda na qualidade do plantio.

O que lhe vem à cabeça quando se fala em algodão? Provavelmente, a maioria pensaria nos produtos mais intuitivos, como roupas e produtos farmacêuticos. De fato, são os principais destinos desta matéria prima.

No entanto, além das roupas que vestimos, existem diversos outros produtos em nosso cotidiano que têm como uma de suas matérias primas o algodão. Por exemplo, o filtro para coar nosso café da manhã, a toalha que usamos para enxugar o rosto, até as cédulas de dinheiro que carregamos na carteira!

Exemplificamos apenas produtos que usam as fibras do algodão (a parte branquinha e fofinha que conhecemos). Fora isso, utiliza-se ainda o caroço, do qual é possível extrair o óleo de algodão e ainda aproveita-se o farelo dos restos sólidos.

O óleo cru extraído pode ser utilizado como base para produção de biodiesel e óleo vegetal para consumo (como qualquer outro óleo de cozinha), e o farelo do caroço pode ser utilizado na produção de ração animal para ruminantes e adubos.

Ou seja, aproveita-se 100% do fruto do algodão! Agora vamos a alguns números interessantes…

Números do algodão no Brasil

Segundo os levantamentos da última safra pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (ABRAPA), no ranking mundial o Brasil está em 5º lugar em área plantada de algodão (1,6 milhões de hectares), em 4º lugar em produção (3 milhões de toneladas), e em 2º lugar em exportação (1,9 milhões de toneladas).

Só esses números já parecem incríveis, mas veja agora a evolução da cotonicultura no Brasil: se pegarmos dados históricos da produção de algodão no Brasil da safra de 1976/77 para cá, veremos que a área plantada reduziu em mais de 60%. No entanto, nessa mesma série histórica, houve um aumento significativo de produção em cerca de 200%. Isso significa que houve uma melhora significativa de produtividade. Sendo mais exato, de 500 kg/ha para mais de 3.500 kg/ha, que significa um aumento de mais de 600% em produtividade.

Figura 1 - Área plantada de algodão no Brasil (em mil hectares).
Figura 1 – Área plantada de algodão no Brasil (em mil hectares).
Figura 3 - Produtividade  do algodão no Brasil (em quilogramas por hectare).
Figura 3 – Produtividade  do algodão no Brasil (em quilogramas por hectare).
Figura 2 - Produção do algodão caroço no Brasil (em mil toneladas).
Figura 2 – Produção do algodão caroço no Brasil (em mil toneladas).
Figura 4 - Rendimento de pluma do algodão no Brasil (em porcentagem - % - de pluma do algodão caroço)
Figura 4 – Rendimento de pluma do algodão no Brasil (em porcentagem – % – de pluma do algodão caroço)

E ainda, segundo o Portal do Agronegócio, 80% da produção de algodão no Brasil é sustentável, o que nos coloca em primeiro lugar no ranking mundial de produção sustentável do algodão e produtividade em sequeiro (produção sem irrigação artificial, usando apenas o recurso das chuvas).

Tudo isso foi possível, dentre outros fatores, devido ao rápido avanço da ciência e tecnologia no campo, seja na criação de novas variedades de algodão, boas práticas no campo ou no desenvolvimento de maquinários capazes de realizar operações em grande escala na lavoura com mais eficiência. 

Para se ter uma ideia, quando ainda se trabalhava com colheita manual, uma pessoa colhia em média 6 arrobas por dia (cerca de 90 kg), enquanto que com uma máquina é possível colher até 3000 arrobas por dia (cerca de 45 ton).

Atualmente, a maioria, se não toda a produção de algodão no Brasil é mecanizada e, por este motivo, é essencial ter o controle sobre a arquitetura da planta. Isto porque para que haja melhor eficiência na colheita, o algodoeiro deve ter cerca de 1,30 metro de altura.

E é neste contexto que surge a necessidade do regulador de crescimento na cotonicultura.

O Regulador de crescimento  na Cotonicultura

O algodoeiro é na realidade uma planta perene (ciclo de vida longo) que tratamos como uma cultura anual (ciclo de um ano ou menos).

Isso quer dizer que naturalmente o pé de algodão apresenta crescimento vegetativo e reprodutivo concomitantes. 

O crescimento e o desenvolvimento do algodoeiro são influenciados tanto por fatores externos (fatores climáticos, fertilidade do solo) como internos (hormônios), e em certas situações (boa formação da base da planta, alta concentração de Nitrogênio no solo, solo úmido, temperaturas altas) o crescimento vegetativo é favorecido.

No entanto, o crescimento vegetativo excessivo provoca maiores perdas das estruturas reprodutivas (que geram os frutos), retardamento da maturação dos frutos, depreciação da qualidade do produto colhido, além de poder propiciar o apodrecimento dos frutos nos baixeiros e dificultar a aplicação de defensivos.

Por estes motivos, o crescimento e o desenvolvimento da plantação de algodão deve ser monitorado e controlado.

Fitorreguladores de crescimento em algodoeiro
Fitorreguladores de crescimento em algodoeiro. Fonte

Para este controle de crescimento, e consequentemente da arquitetura da planta, utiliza-se o regulador de crescimento na cotonicultura. São substâncias químicas sintéticas que alteram o balanço hormonal da planta e retardam o crescimento da mesma.

Fora isso, outros detalhes importantes são: as fases da plantação de algodão, os momentos em que se deve ter maior atenção ao crescimento das plantas, as formas de avaliação do desenvolvimento das mesmas, usadas como critérios para tomada de decisão se deve ou não aplicar o regulador de crescimento. 

Detalhes que não serão discutidos nesta publicação, mas podem ser encontrados no manual de boas práticas de manejo do algodoeiro em mato grosso publicado pelo Instituto Matogrossense do Algodão.

Fonte: autor

Aplicação em taxa variável do regulador de crescimento na cotonicultura

Agora, será que cada talhão se comporta de forma uniforme? Será que se houver crescimento vegetativo excessivo de uma planta, todas do mesmo talhão crescerão da mesma forma?

Como todos sabem, a natureza pode ser bastante imprevisível e heterogênea, principalmente quando trabalhamos com talhões que ocupam grandes áreas. Pode inclusive acontecer de num mesmo talhão ter diferentes tipos de solo, ou receber chuva numa parte e na outra não.

Por este motivo, pode ser que ocorra o crescimento excessivo apenas em algumas regiões da plantação e em outras não. 

Neste contexto, se decidir aplicar o regulador de crescimento de forma uniforme, esta ação beneficiará apenas as regiões com a alta taxa de crescimento, porém pode provocar o estresse nas plantas que não estavam precisando desta aplicação, o que afetaria nos resultados finais de produtividade das mesmas.

Por isso existe a aplicação em taxa variável do regulador de crescimento na cotonicultura. A aplicação em taxa variável do regulador de crescimento pode trazer uma série de benefícios tanto para a plantação quanto para o bolso do produtor, pois evita o uso excessivo do produto, evita o estresse sobre as plantas que não necessitam desta aplicação e gera economia do produto utilizado.

Avaliando o quanto da lavoura está afetada e identificando as zonas de aplicação

Então, uma vez que o problema (crescimento vegetativo excessivo) foi devidamente diagnosticado, como podemos estimar o quanto da lavoura está sendo afetada e identificar essas zonas para aplicar o regulador de crescimento?

Hoje é possível realizar mapeamentos através de monitoramento remoto, seja por imagens de satélites, e/ou por imagens coletadas com o uso de VANTs (de asa fixa ou drones multi-rotores).

Desses mapas gerados, pode-se fazer a análise quantitativa do problema. No entanto, vale lembrar que existem diversas formas de realizar esse passo, como estimativa de biomassa por índices vegetativos gerados por bandas visíveis (RGB – Vermelho, Verde e Azul) ou por imagens multiespectrais (envolvendo o IR e o NIR –  Infra-Vermelho e Infra-Vermelho Próximo). Técnicas que já vêm sendo utilizadas há um tempo, porém cada uma com suas limitações.

Por isso, nesse contexto, nós da BemAgro queremos agregar valor à esta análise, por meio de novas abordagens, fruto de estudos reais e vivência no campo, com a devida seriedade e respeito à natureza e ao agronegócio.

Foto: autor
Foto: autor

Caso de sucesso com o Grupo Princesa

Agora vamos a um caso real realizado com o Grupo Princesa, uma importante empresa produtora de algodão do Mato Grosso, localizada em Campo Verde.

Em talhões onde já se conhecia o problema, o Grupo Princesa usou o serviço completo da Plataforma BemAgro, por meio do qual foram processadas as imagens coletadas por drone e gerados os mapas das áreas afetadas pelo problema de crescimento vegetativo excessivo.

Imagem: autor

No contexto de aplicação de regulador de crescimento, é possível realizar a operação de diversas formas: corte de seção (aplica ou não aplica), ou em taxa variável, onde pode-se dividir o talhão em várias classes (cada uma com uma taxa de aplicação diferente, de acordo com o diagnóstico).

Neste caso, foi feita a aplicação por corte de seção, então como resultado, ao invés de aplicar o regulador de crescimento nos 177,49 hectares dos talhões, foi aplicado em 108,46 hectares, ou seja, uma economia de 38,90%.

Imagem: Plataforma BemAgro

Imagem: Plataforma BemAgro

“A proposta é interessante, pois pode gerar economia e trazer ganho ao produtor, não só na questão da aplicação do produto, mas também na planta em si. Isso porque muitas vezes tem plantas que não precisam do regulador de crescimento, por já estar com desenvolvimento vegetativo menor. Então, além de desperdiçar o produto (se aplicar na área total), tem a parte prejudicial do estresse gerado nessas plantas, que é difícil  mensurar.” (Flávio Leme, diretor do Grupo Princesa)

Também em depoimento, Adrian Mognon, engenheiro agrônomo do Grupo Princesa, diz já ter trabalhado com a aplicação em taxa variável de regulador de crescimento antes e conhece os benefícios quando bem executado. 

“No entanto, era feito tudo de forma manual no computador. Com a plataforma BemAgro fica mais fácil de trabalhar, pois torna os processos mais automáticos e mais acessível a todos os envolvidos, pois o projeto não fica vinculado apenas ao computador de uma só pessoa.” (Adrian Mognon, engenheiro agrônomo do Grupo Princesa)

Considerações finais

É importante ressaltar que a decisão de aplicar o regulador de crescimento na cotonicultura deve ser tomada com base em alguns critérios (taxa de crescimento, altura da planta, número de nós, etc) conforme ditam as boas práticas de manejo do algodão. 

O mapeamento por imagens aéreas ou de satélite é, pelo menos por enquanto, uma ferramenta para facilitar e tornar mais eficiente a análise quantitativa do problema e a delimitação mais precisa das zonas de aplicação do regulador de crescimento.

Tenha sempre o acompanhamento de um agrônomo qualificado para um resultado mais adequado às suas expectativas.

Gostou do conteúdo? Em breve falaremos mais sobre o assunto!

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Luiz Alberto Hiroshi Horita

Luiz Alberto Hiroshi Horita é P&D de Inteligência Artificial e Product Owner de Soluções da BemAgro. Em seus 5 anos de experiência com pesquisa e desenvolvimento tecnológico, trabalhou em projetos que abrangeram desde integrações de sensores para telemetria (hardware) à análise de dados e implementação de soluções (software), sendo a maioria aplicadas ao agronegócio. Formado em Engenharia Eletrônica pela Escola de Engenharia de São Carlos – USP e mestrando em Ciência de Computação e Matemática Computacional pelo Instituto de Ciências Matemática e de Computação – USP.

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